domingo, 10 de agosto de 2008

Cronica (FUNK)

Ontem li uma cronica mtu boa de ARNALDO JABOR, é grande mais vale a pena leer (:!

Acabo de voltar do carnaval na praia, onde fiz uma triste constatação:
tá dominado, tá tudo dominado!!! Só dá funk! O "neo forró" tenta uma
reação, mas suas letras não são cafajestes e não trazem a "alegria
compulsória" que o brasileiro tanto gosta. Aí não dá, né, pô?! Como é
que o cara quer fazer sucesso sem tratar mulher como lixo?! Esses
forrozeiros, vou te contar... A indústria do CD pirata vai tratar de
enfraquecer esse negócio, mas o jabá e a televisão devem insistir na
onda por um bom tempo. Xuxa, Luciano Huck, Raul Gil, Gugu, enfim, toda
essa gente boa vai se virar pra ganhar em cima. A Bandeirantes até já
vai lançar um programa semanal com duas horas de duração dedicado ao
funk. Isso, claro, até o "Tigrão", a mente por trás do "movimento", ser
domesticado, o que, em termos mercadológicos, significa botar um
terninho e gravar uma babinha pra novela das oito da Globo. O "Tigrão",
aliás, deu uma elucidativa entrevista pra revista VIP de março. Eu digo
elucidativa, pois ele dissipa a névoa de ignorância (por parte do
público) que encobria alguns aspectos do "movimento". Vejamos: em
determinado trecho da entrevista, "Tigrão" diz: "...As pessoas gostam
desse erotismo. Mas, se você analisar, as letras nem são tão pesadas.
Elas têm duplo sentido, até porque o público infantil ouve funk". Muitas
coisas interessantes nessas sentenças! Então vamos por partes: "...se
você analisar, as letras nem são tão pesadas". Eu analisei e ele está
certo. Quem, em sã consciência, poderia achar pesada a letra do funk
"Máquina de Sexo", que diz: "Máquina de sexo, eu transo igual a um
animal/A Chatuba de Mesquita do bonde do sexo anal/Chatuba come cu e
depois come xereca/Ranca cabaço, é o bonde dos careca"? Note-se a leveza
de termos como "sexo anal", "cu", "xereca" (!) e "cabaço". "Elas têm
duplo sentido...". Procurei demais e não achei o duplo sentido no funk
"Barraco III": "Me chama de cachorra, que eu faço au-au/Me chama de
gatinha, que eu faço miau/Goza na cara, goza na boca/goza onde quiser".
Ah, agora entendi! "Goza na cara" é porque o cara ficava tirando sarro
da menina pelas costas. Aí ela diz "Goza na cara!". Que coisa... "...até
porque o público infantil ouve funk". Eis uma verdade e a preocupação do
"Tigrão" se justifica. Foi pensando nas crianças que o garoto Jonathan,
de 7 anos (ele mal tem coordenação motora para reproduzir a coreografia)
foi incentivado a gravar o funk "Jonathan II", de edificante letra: "De
segunda a sexta, esporro na escola/Sábado e domingo, eu solto pipa e
jogo bola/Mas eu já estou crescendo com muita emoção/E eu já vou pegar
um filé com popozão". 7 anos!!! 7 anos!!! Pô, foi mal...A culpa é minha
que não entendo, gente grande, feia e besta. Então, vamos lá, repetir o
discurso de dez em cada dez apresentadores de programas femininos e de
auditório: todo mundo junto, um, dois, três e já: "A malícia está na
cabeça do adulto, a criança só quer se divertir. Onde já se viu, se
preocupar com uma coisa dessas! Das crianças que passam fome na rua
ninguém fala nada...". Aplausos entusiasmados e urros de apoio, por
parte do auditório. É bom que se diga que as crianças que passam fome
nas ruas são um sério problema social, cuja resolução deve ser uma dasprioridades máximas de qualquer governo (detalhe sem importância: os
funks da moda não passam nem perto dessa questão. Mas, beleza, vamos
lá...). Só que é um problema do governo, a gente não tem nada com isso,
não É mesmo? Ao invés disso, vamos dar risada e incentivar o moleque de
7 anos (7 anos!!!) a "pegar um filé com popozão". Afinal, nunca é cedo
demais pra mostrar pro papai que se é um garanhão, que não deixa passar
nenhuma cachorra. Isso é que é uma infância saudável! E pensar que eu
perdi tanto tempo assistindo "Bambalalão", "Sítio do Pica-Pau Amarelo" e
ouvindo aqueles discos da "Turma do Balão Mágico". Ao invés disso podia
estar por aí, transando umas cachorras... Enquanto a gente dá risada, a
molecada vai crescendo com a certeza de que mulher não passa de uma
bunda e um par de peitos siliconados, que gosta de ser chamada de
cachorra e que acha que só um tapinha não dói. Se "só um tapinha não
dói", o primeiro deveria ser dado no popozão dos tigrinhos e
cachorrinhas que curtem essas coisas. Depois a gente não entende o
motivo do aumento dos índices de violência contra a mulher e porque ela
é tão desrespeitada na sociedade. Será que não é óbvio? Você,
cadela...quero dizer, mulher que está lendo isso, levante-se e lute! Não
seja uma cachorra! Um tapinha dói, sim! Exija respeito antes que nós,
homens, acreditemos que é isso mesmo que vocês querem. Deponham as
Xuxas, Carlas Perez, Feiticeiras, Tiazinhas, Enfermeiras, Internéticas,
Vampiras, e Vanessinhas Pikachu de seus reinados de miséria intelectual!
Conto com vocês!!! E lembrem-se sempre da cada vez mais pertinente frase
de Oscar Wilde: "Todo crime é vulgar, assim como toda vulgaridade é
criminosa".

bjks, até maais ! :*

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